O Menor Preço Nem Sempre é o Menor Custo: Uma Análise Técnica do Fluido de Trefilação de Cobre
- LubriChemical

- 31 de jan.
- 4 min de leitura
Na indústria moderna de trefilação de cobre, a busca por competitividade leva muitas empresas a avaliarem o fluido de trefilação principalmente pelo preço por litro. À primeira vista, essa abordagem parece financeiramente racional. No entanto, sob a ótica da engenharia de processos, essa análise é incompleta e frequentemente conduz a decisões que aumentam o custo operacional.
O princípio que rege operações industriais de alta performance é claro:
Rentabilidade não está ligada ao menor custo do insumo, mas à estabilidade do processo.
Uma linha multifilar contemporânea pode envolver aproximadamente 92 variáveis operacionais, abrangendo desde a condição metalúrgica do fio até os parâmetros de recozimento. Destas, cerca de 34 variáveis estão direta ou indiretamente relacionadas ao fluido de trefilação, incluindo qualidade da água, estabilidade da emulsão, controle microbiológico, contaminações, filtragem e práticas de manutenção.
Sob essa perspectiva, o lubrificante deixa de ser um simples consumível e passa a ser um agente crítico de controle de processo.
Empresas com maior maturidade industrial já operam com essa mentalidade.
O Verdadeiro Peso do Lubrificante no Custo Industrial
Vamos analisar com objetividade técnica.
Premissas realistas de mercado:
• Preço do óleo: R$ 50,00 por litro
• Concentração média: 7%
• Consumo típico: entre 1,1 e 1,6 litro por tonelada trefilada
Custo direto do fluido:
Aproximadamente R$ 55 a R$ 80 por tonelada.
Quando comparado ao custo total de transformação do cobre que pode facilmente atingir dezenas de milhares de reais por tonelada, considerando matéria-prima, energia, mão de obra, ferramental diamantado, manutenção, depreciação e perdas metálicas o peso financeiro do lubrificante se mostra surpreendentemente pequeno.
Resultado técnico:
O fluido normalmente representa apenas entre 0,15% e 0,30% do custo total do produto.
Ou seja, estatisticamente, trata-se de um dos menores componentes do custo industrial mas, paradoxalmente, de um dos mais influentes na produtividade.
O Evento que Realmente Custa Dinheiro: A Parada por Quebra de Fio
Gestores industriais experientes sabem que o maior risco financeiro de uma linha multifilar não está no preço dos insumos — está na interrupção da produção.
Embora alguns cálculos considerem apenas paradas curtas, a realidade operacional mostra que uma quebra pode evoluir para um evento significativamente maior, especialmente quando envolve:
• reenfiamento complexo
• desalinhamentos
• inspeção e possível substituição de fieiras
• necessidade de novo setup
• reestabilização térmica (ajuste da temperatura da emulsão)
• ajustes de tensão
• descarte de material fora de especificação
Em cenários críticos e absolutamente reais , uma única quebra pode manter a máquina parada por até duas horas.
Vamos quantificar esse impacto.
Exemplo Industrial : Parada de 2 horas em uma multifilar de 8 fios
Premissas conservadoras:
• Produção média da linha: 4 toneladas por hora
• Tempo de parada: 2 horas
• Produção não realizada: 8 toneladas
Considere um valor industrial médio do cobre transformado:
R$ 45.000 por tonelada
Impacto direto da parada:
8 toneladas × R$ 45.000 = R$ 360.000
Uma única interrupção pode representar centenas de milhares de reais em valor industrial comprometido.
E ainda estamos analisando apenas o impacto primário.
Custos Invisíveis : Os Verdadeiros Multiplicadores de Perda
Paradas prolongadas normalmente desencadeiam efeitos adicionais que raramente são capturados nos cálculos iniciais:
• choque térmico nas fieiras
• redução da vida útil do ferramental
• maior risco de microdefeitos superficiais
• perda de eficiência no retorno da operação
• consumo energético improdutivo
• horas não produtivas de equipe
• possíveis atrasos logísticos
Quando considerados, esses fatores podem elevar ainda mais o custo real do evento.
O Paradoxo Industrial do Lubrificante Barato
Agora surge o dado mais estratégico desta análise.
Uma economia típica ao optar por um óleo aparentemente mais barato costuma girar entre R$ 10 e R$ 15 por tonelada.
Mesmo que uma planta produza 3.000 toneladas por mês, essa economia representaria algo próximo de: R$ 30.000 a R$ 45.000 mensais.
Uma única parada severa pode consumir o equivalente a vários meses dessa economia.
É neste ponto que muitas estratégias de redução de custos falham porque focam no insumo de menor peso financeiro e ignoram o fator que mais ameaça a rentabilidade: a variabilidade do processo.
Lubricidade Não é um Detalhe É Física Aplicada à Produção!
Na zona de deformação da fieira, as pressões podem facilmente ultrapassar 1 GPa.
Sem um filme lubrificante robusto e estável, ocorrem:
• aumento do coeficiente de atrito
• elevação térmica localizada
• desgaste acelerado do diamante
• maior esforço mecânico
• crescimento do risco de ruptura
Um fluido tecnicamente superior atua como um verdadeiro estabilizador tribológico, reduzindo a dispersão do processo.
Menor dispersão significa:
maior previsibilidade → maior produtividade → menor custo por tonelada.
O Fator Subestimado que Diferencia Operações de Alta Performance: O Especialista em Lubrificação
Existe um aspecto frequentemente negligenciado na escolha do fornecedor:
Não se adquire apenas um produto adquire-se engenharia aplicada ao processo.
Um especialista em lubrificantes de trefilação atua diretamente no controle das 34 variáveis ligadas ao fluido, promovendo ganhos como:
• ajuste preciso da concentração
• orientação técnica sobre qualidade da água
• definição das melhores práticas de filtragem
• prevenção de contaminações
• controle microbiológico
• aumento da vida útil da emulsão
• diagnóstico precoce de desvios
• redução de paradas não planejadas
Na prática, esse suporte transforma o lubrificante de um custo operacional em uma ferramenta estratégica de estabilidade produtiva.
Plantas que operam com acompanhamento técnico consistente tendem a apresentar:
• menor índice de quebra
• maior vida útil das fieiras
• melhor acabamento superficial
• maior velocidade operacional segura
• menor variabilidade
E baixa variabilidade é um dos maiores indicadores de excelência industrial.
A Pergunta Estratégica que Todo Gestor Deveria Fazer
Não é: “Qual é o óleo mais barato?”
Mas sim:
“Qual fluido mantém minha linha operando no máximo potencial, com o menor risco operacional?”
Porque, no ambiente industrial moderno:
Minutos de produção valem mais do que reais economizados na compra de insumos.
Conclusão Técnica
O fluido de trefilação representa uma fração mínima do custo por tonelada — mas exerce uma influência desproporcional sobre a estabilidade do processo.
Optar exclusivamente pelo menor preço pode parecer uma economia imediata, porém frequentemente aumenta o custo invisível da operação: paradas, perdas, variabilidade e desgaste prematuro.
Por outro lado, um lubrificante tecnicamente robusto — aliado ao suporte de um especialista — atua diretamente como vetor de produtividade.
A equação industrial é simples:
Processos estáveis produzem mais. Processos que produzem mais custam menos.
E, quase sempre, a estabilidade começa no fluido.




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